quinta-feira, 15 de maio de 2014

SENTIMENTOS

Em dias idos, e nos atuais,
Agora com mais esmero,
Muitas vezes, muitas mesmo,
Creio que me iludo
Com suas enormes possibilidades.

Não gostaria de pensar assim,
E às vezes não penso,
Mas deleitar-me com meus sonhos,
Sonhos de bondade e caridade,
É o que faço de melhor.

Mas também de regozijo
Valho-me da intensidade deles
De suas nuances fantásticas
Da libido, alegria e até temores.

Imergir nas suas emoções
O seguir solitário
O olhar para as nuvens
A visão do céu.

O céu que eu abraço
O voo no seu vazio frio
O olhar do seu esplendor,
No esplendor.
O enternecimento, a emoção.
No vagar pelas nuvens
A mente sem contrição
A alma feliz e desejosa
O espírito enlevado
A esperança, o amor.

Mas logo me vejo entre os homens,
Tão convictos de suas verdades, suas próprias verdades.
Tão individuais e vis
Tão impacientes, quanto hipócritas e hostis,
Tão déspotas e cruéis.

Como podem fazer mal ao seu semelhante?
Como podem subjugá-los,
Arrastá-los a mercê de seus caprichos, ou crenças?

As pessoas...
Parecem-me mais hostis fúteis e desgraçadas.
Um jeito pobre de atitudes
Hermeticamente fechadas em seu nojo
Inversão de valores.
Sinto-me amaldiçoado diante de seus olhares.
Oprimido diante de suas atitudes.

Gente bárbara,
De punhos ostensivos e pretensiosos.
Gente ignorante e presunçosa.
Insignificantes, que se acham coroadas,
Arrogância cega, cretina.
Prefiro o vogar, o vagar.
No infindo céu.
No seu silêncio.
O vento frio e estimulante
Só, como cheguei ao mundo.
Nas emoções dos meus sonhos.

Tão penosos quanto agradáveis
Tão ermos quanto cruéis
Tão livres e felizes
Como tudo o que sonho.

DARCY BARCELOS FILHO

27/05/11

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